É um produto do seu tempo - La Guillotine EP01 - Audiencia Pixelada
Crítica redigida por kiko@bom

Noticia publicado por: KIKO@BOM em 20/07/2017 22:00
É um produto do seu tempo - La Guillotine EP01

São poucas as produções históricas no cinema ou na televisão habbiana, embora vários autores já tenham tentado (e alguns conseguido) integrar a realidade da História humana na ficção do grande e do pequeno ecrã. A HBC apresenta assim, com um propósito que se pode identificar como traçamento histórico, a sua mais nova produção: «La Guillotine».

Envolta num panorama histórico — a trama decorre durante o reinado de Luís XVI —, a produção afasta-se manifestamente, ainda assim, da fidelidade necessária para recontar episódios relevantes da história francesa. A proposta é, por outro lado, o desenvolvimento de uma alternativa ao cânone que já conhecemos, isto é, a substituição do que foi pelo que poderia ter sido. E, embora esta ideia seja amplamente atrativa e sobejamente interessante, o primeiro episódio da série tem erros que infelizmente minam o produto final.

Na impossibilidade de saber para onde a série prosseguirá, fica a marca de um episódio, no cômputo geral, mal construído. A alternativa histórica apresentada pela produção não é funcional — apresenta argumentos tangíveis e com relevância histórica que, de facto, constituíram razões para a deposição do monarca francês nos finais do século XVIII, mas num panorama social diferente. Em vez da Revolução Francesa dos estratos baixos e revoltados, cujas ideias disruptivas eram um sinal de força e de mudança, a série cria uma revolução por dentro, orquestrada pelos estratos altos, mas que mantém, aparentemente as mesmas motivações. É a substituição do popular «nós, o povo» pelo «nós, os nobres». Não obstante, a ideia de um golpe interno é bem acertada e, dentro da sugestão geral da produção, totalmente justificável. Isto porque a noção de trocar o facto pelo hipotético no campo histórico é, inevitavelmente, contar o passado com a forma do presente, e a política atual é um poço dourado de material ficcional.

Com alguns problemas na velocidade — o primeiro episódio oscila entre a câmera estática nas cenas de diálogo e os movimentos lentíssimos dos cenários panorâmicos numa coexistência que não complementa bem —, a série acerta, porém, no visual e na arte. Com algumas ressalvas no figurino, os cenários são impecáveis e temporalmente fiéis, exaltando características da essência dos próprios personagens nesse espaço amplo em que atuam. O mesmo se aplica à paleta de cores da série que, com tons quentes e frequentemente saturados, desenvolvem uma imagem homogénea e sugestiva da atmosfera da produção.

«La Guillotine» é um produto do seu tempo, e isto constata-se até em alguns erros históricos que a série deixou escapar, como a simultaneidade dos reinados de Luís XVI da França e João VI de Portugal, o que não sucedeu. Porém, dentro da proposta da produção, os erros e os desvios históricos são detalhes de pouca relevância. Com um primeiro episódio pequeno é difícil avaliar uma série, muito menos uma que apresenta pouco desenvolvimento do roteiro. Ficam, contudo, marcas positivas e negativas que, creio, poderão definir um futuro brilhante ou um futuro medíocre para «La Guillotine». Esperançosamente o primeiro.

 

.::bombardo::.
Torço muito pela dramaturgia na TV, é algo que falta por ser extremamente complicado de se fazer. Boa sorte guga e espero que La Guillotine seja sucesso!
Gugamau
Gostei da critica, acredito que essa critica será bastante edificadora para mim e para a série no geral. Sobre o contexto histórico, eu decidi colocar João VI pois ele é mais conhecido por nós Brasileiros e porque será de suma importância para o desenrolar da série, porém o Rei de Portugal naquele período era José I. Obrigado pela critica, e continue assistindo a série para ver o desenrolar da história.
bigjuanvitor.
Muito bem colocado esta crítica do kiko@bom, a TV está evoluindo seu potência nesses tipos de produções, acho que com a crítica servirá de grande discernimento da GM Produções, apesar dela já ser considerado um dos sucessos da TV.
Edu.Martins14
Kiko@Bom trabalhando para o Audiência Pixelada? KKKKKKKKKK Acho que estou prevendo o ciclo acontecer novamente: Cinema falido --> Pessoal se aproxima da TV --> Tentam voltar com o Cinema --> Saem da Tv, criticando todo mundo... Pensei que tinham tomado vergonha na cara, mas parece que não.. Como é aquele ditado? "Não diga que dessa água não bebereis, pq vai que bebereis"
bigjuanvitor.
Eu que fiz o convite, Edu... é voluntário dele, ele não trabalha pro Audiência Pixelda, tinha muita gente falando que no site faltava coluna de crítica, aí como ele tem bastante experiência vi nele a oportunidade para o site desenvolver este ciclo, e ele gosta de fazer, não está recebendo... é voluntário a meu convite XD
kiko@bom
Caro Guga, aguardarei interessadíssimo pelo próximo episódio. Tenho convicção de que será muito bom!
kiko@bom
Oi, Edu :) Eu não estou a trabalhar, nem filiado contratualmente, com a Audiência Pixel. Fui contactado com um simpático convite do Big para escrever uma crítica de uma produção que gostei e, porque acredito que todos os novos autores no Habbo merecem o seu trabalho avaliado por alguém com experiência -- e eu, pessoalmente, devo sublinhar que as avaliações que recebi ao longo dos anos foram fundamentais para o meu desenvolvimento enquanto cineasta --, aceitei com todo o gosto. Não estando eu, presentemente, no Habbo (entro de vez em quando, ultimamente mais vezes por causa do tempo livre, para matar as saudades e falar com o pessoal), não me parece que isto seja um regresso esotérico a uma plataforma que anteriormente -- admito e faço aqui a mea culpa -- critiquei. Parece-me, porém, que já é altura de enterrar o machado de guerra e dar relevância exclusiva, em casos como estes, às produções e às opiniões, não às pessoas ou aos conflitos que, terminados, quando tão veemente assinalados, são um supérfluo exercício de veneração das cinzas. Façamos, por favor o contrário: preservemos a chama da cinematografia.
2 usuários online
EM BREVE!